Faz tempo que a sua cidade mudou e você nem percebeu. É possível que você mesmo tenha mudado e os anseios que nutra hoje não sejam os mesmos se comparados ao que aspirava na década passada. As cidades e as pessoas estão em constante movimento, especialmente quando atravessamos períodos de grandes transformações.

Com uma longa recuperação pela frente, a retomada econômica pós pandemia deve ser particularmente mais lenta no Brasil. O cenário corroborado por analistas de mercado e economistas do mundo inteiro para os próximos anos aponta que a crise decorrente da COVID-19 afetará substancialmente a capacidade de investimento das empresas e o consumo das pessoas, pelo efeito sistêmico por toda a cadeia, e em especial, o endividamento das famílias.

Em um ambiente excessivamente dependente do consumo como indutor da economia, a situação intensifica o grau de incerteza das pessoas em relação ao futuro. Insolvência das empresas, desemprego, crise de confiança. O cenário que tira o sono da cadeia produtiva também atinge em cheio as populações em situação de vulnerabilidade ou pobreza extrema, com reflexos de grande importância para a forma como convivemos uns com os outros no dia-a-dia das cidades.

O INOVACITY Talks foi conversar com Michel Alcoforado, antropólogo do consumo e sócio-diretor da Consumoteca, para tentar entender como esse contexto de enorme complexidade pode afetar o senso de prioridade das pessoas, o que elas devem esperar da administração pública em novos ciclos de gestão municipal, mas sobretudo, como as tecnologias disruptivas podem favorecer o incremento da inovação para ajudar na transformação e adequação das cidades às necessidades de cidadãos cada vez mais conectados e exigentes.

Frente a um modelo de Estado cada vez menos capaz de suprir suas expectativas, o cidadão comum cobra a ressignificação do papel do ente público como mediador da relação entre os indivíduos. Refém de um contexto econômico que concentra “luxo e conforto para poucos, e distribui frustração e revolta para muitos”, exige melhores mecanismos de proteção e um contrato social mais eficaz em representar a vontade coletiva. O resultado dessa conversa você pode conferir neste episódio do nosso podcast.

Assista ao podcast e depois volte para registrar suas percepções. Em meio a tantas transformações socioculturais, é possível utilizar a inovação como agente indutor de uma melhor integração entre as pessoas? E dessa forma, reduzir desigualdades e baixar a fervura do caldeirão de ressentimentos em que o país parece ter se inserido? O que você acha?