O mundo sairá muito diferente desta que já é considerada a maior pandemia da história recente de nossa civilização. Da rotina das cidades à nova dinâmica da economia, hábitos de consumo, de trabalho e de convivência nos grandes centros urbanos, tudo isso vai mudar drasticamente nos próximos anos, acelerando ainda mais a transformação digital em todos os aspectos da vida cotidiana.

No seu objetivo de entender o futuro das cidades a partir das mais diferentes perspectivas, o INOVACITY Talks foi conversar com Gil Giardelli, professor, estudioso da cultura digital e da inovação, com ampla experiência na difusão de conceitos e atividades ligados à sociedade em rede,e obteve alguns insights muito interessantes sobre a chamada Sociedade 5.0.

Organizado como conceito inicialmente pelo governo japonês, o modelo de Sociedade 5.0pensa as tecnologias disruptivas em favor do bem-estar e uma melhor qualidade de vida para as pessoas de todas as idades.E por mais distante que isso possa parecer da realidade local, num país com tantas desigualdades como o Brasil, ainda há lições importantes e prioridades de foco que podem ser consideradas hoje levando em conta o futuro que queremos e podemos projetar para nossas cidades num intervalo de tempo que ainda não está definido.

Giardelli acredita que o mundo caminha gradualmente para um modelo de governança que o filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman chamava de democracia líquida, algo entre a democracia direta e a representativa, com cuidados no que poderia descambar para uma cultura excessivamente plesbicitaria, mas possibilitando a ampliação do nível de participação do cidadão sobre as decisões técnicas que lhe dizem respeito.

É o que já vem acontecendo, por exemplo, em alguns países da Ásia, onde uma maior flexibilização de questões relacionadas à privacidade permite que você substitua a presença física do policiamento urbano pelo uso intensivo e ostensivo de sistemas de vigilância permanente a partir de câmeras com reconhecimento facial, avançando em direção a dados cada vez mais específicos, mesmo que com consentimento dos cidadãos. Hoje já é possível identificar desde um criminoso no meio de uma multidão até uma pessoa com febre no meio de uma rua lotada. O próximo senso chinês, por exemplo, já discute a coleta de saliva para fazer um banco de DNA que ajudará a elucidar crimes, o controlar pandemias ou definir políticas públicas de saúde. Pode ser o salto para um futuro só imaginado pela ficção científica romântica dos Jetsons, uma distopia orwelliana, ou aquilo que o pensador Yuval Harari chama de ditadura digital.

Big Data, Internet das Coisas, Inteligência Artificial. As tecnologias continuarão chegando e proporcionando uma infinidade de possibilidade para as pessoas no mundo todo, ainda que desafiando sociedades menos maduras frente a esta realidade. E você? O que acha disso tudo? Já parou para pensar como a tecnologia pode mudar a sua vida?

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